tens escrito?
[um lento suspiro abafa-lhe a voz e chovem lembranças de dias mais calmos
não sabe o que escrever, não consegue, começa e não acaba, não tem tempo para, não tem cabeça. carrega sempre um livro, lê duas ou três páginas e é nada o que guarda consigo]
não me apetece nada. por vezes ninguém…
[quando ele aparece ilumina-lhe o dia e arruína-lhe um pedaço da vida. uma pergunta. um beijo... e ela navega em lugares da memória misturados com recordações. vê passados futuros escritos em pequenos papéis
um espanta espíritos faz com que pare ao longo de uma musica suave que quase a embala. queria poder fechar os olhos e só ouvir uma musica assim]
caminho à noite. a paz da cidade faz-me bem
[há milhares de peças partidas e cortantes que lhe ocupam o corpo e fazem magoar. há poucos dias num corredor imenso de dor. há quartos com muros gigantes, há guerras sem luz, há poessoas e perguntas e há ruídos que fazem doer. há alguém que merece todo o seu amor e não consegue]
converso sozinha para arrumar as ideias
[o passo é sempre apressado na escuridão das horas e nas paragens compõe histórias com as imagens dos outros. procura o silêncio à noite. sorri à lua e bem-diz o frio que lhe gela os olhos e as mãos. caminha maquinalmente, em passo apressado, na ligeireza das horas]
consigo ver filmes
[um pensamento, uma possibilidade, uma palavra, um olhar e tudo pode parti-la e transformá-la noutra pessoa, como o filme que a atira para o sofá no sossego da noite...]
um filme entra sem esforço e não precisa de muito processamento
[e a adormece por dentro de um conto com pedaços de azul e de céu e uma lembrança suave de um beijo]

3 riscaram:
Um texto lindíssimo de uma interioridade que nos toca e nos faz emocionar.
Obrigado
nunca desistas... beijo.
obrigada manel
um beijo para ti
tento, sigma gamma. com muita força
um beijo
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