January 10, 2012

em frente do mar


pergunto a mim próprio em que noite nos perdemos?,
... que desencontro nos levou de um a outro lado das
nossas vidas? e que caminhos evitámos para que os nossos
passos se não voltassem a cruzar? mas as perguntas que
te faço, hoje, já não têm resposta. sento-me contigo,
nesta mesa da memória, e partilho o prato da solidão. tu,
na cadeira vazia onde te imagino, sacodes o cabelo com
um aceno de ironia. e dou-te razão: as coisas podiam
ter sido de outro modo. não te disse as palavras que
esperaste; e havia o mar, com as suas ondas, nessa tarde
em que me puxaste para longe da cidade, como se
a noite não nos obrigasse a voltar, quando o horizonte
se apagou a nossa frente. depois disso, nenhuma
pergunta tem resposta. o que é absurdo há-de continuar
absurdo, como o horizonte não se voltou a abrir,
trazendo de volta os teus olhos que me pediam que
os olhasse, até que a noite me impedisse de o fazer.

nuno júdice

1 scratched:

mfc said...

Na mesa da memória os pratos vão desfilando... e tanta coisa podia ter sido de outra forma!